Oração pela Tunísia: Crise Hídrica, Apagões e Tensão Política

Com temperaturas que voltaram a ultrapassar os 49°C nos meses de verão, a Tunísia vivencia um colapso severo na prestação de serviços básicos. Diante desse cenário de escassez e dor, a Igreja brasileira é chamada a se posicionar em oração pela Tunísia, intercedendo por justiça, alívio e revelação espiritual no Norte da África.

A Crise Hídrica e os Apagões na Tunísia

Com temperaturas acima de 49°C no verão, a Tunísia vivencia um colapso nos serviços básicos. As falhas elétricas da estatal STEG interrompem também o bombeamento de água da SONEDE. Como resultado, cidades como Túnis e Kairouan passam dias sem água nas torneiras. Além disso, os apagões paralisaram até as fábricas de água mineral em pleno ápice de demanda.

A insatisfação popular cresce e gera forte instabilidade política. Sob o governo de Kais Saied, a liberdade de expressão sofre sérias restrições. O presidente atribui a crise a supostas sabotagens internas. Contudo, moradores e observadores apontam o sucateamento da infraestrutura como a causa real. O medo e a escassez diária marcam a rotina do povo tunisiano.

Por consequência, a repressão a ativistas e o fechamento de organizações da sociedade civil revelam uma nação acuada, onde o medo e a escassez física moldam o cotidiano.

“Nossa rotina tornou-se uma busca constante por sobrevivência básica. Faltam água e luz, e quando tentamos cobrar soluções, a resposta é o silêncio forçado.”
— Morador local em relato registrado por agências internacionais em Túnis

Como Você Pode Ajudar?

Apesar do cenário desafiador, a Missio Dei avança através da intercessão do povo de Deus. Convidamos você a investir alguns minutos em oração pela Tunísia, apresentando as seguintes causas diante do Senhor:

  • Alívio da Crise Humanitária: Oremos para que as autoridades tunisianas atuem com responsabilidade e justiça na restauração do abastecimento de água e energia elétrica para toda a população.
  • Liberdade de Consciência e Expressão: Intercedamos para que o espaço cívico seja preservado e para que a Igreja local (composta por cristãos árabes e do Povo Amazigh) possa existir e se expressar e ser testemunho vivo da revelação do Alto.
  • Revelação de Cristo: Para que a escassez de recursos físicos desperte no coração do povo tunisiano uma sede espiritual que só pode ser satisfeita pelo Evangelho de Jesus Cristo (João 4:14)

Um anjo sem asas. E cego.

Hoje pareceu ser daqueles dias que você se movimenta tanto, vai de um lado para o outro, mas nada parece se mover. Um problema aqui é acolá, idas e vindas para achar uma solução. E tudo isso ao sol de 42 graus… Verdade é que vivemos no Níger com mais de 50 mas faz mais de 20 anos que saímos de lá. Enfim…

“Deixa eu pelo menos sentar em uma cafeteria e esperar o eletricista aparecer e ver se consigo resolver tudo hoje“, pensei. Afinal de contas, ninguém é de ferro e eu queria MUITO resolver o que precisava. Os dias correm e meu tempo está se encurtando, em todos os sentidos. Pedi meu café, fui sentar na pequena varanda para pegar uma brisa e orar para que o eletricista aparecesse o mais rápido possível. As orações também viraram uma “luta espiritual imensa” pois a TV daquela cafeteria simples estava a pleno vapor recitando versos do Alcorão. “Que droga, esqueci que hoje é sexta-feira!“. Como as sextas deles são como os nossos domingos, é normal ligarem as TVs e ficar ouvindo bem alto esses recitos para se prepararem para a reza das 13h.

“Será que o eletricista vai vir trabalhar hoje!?“. Não procurei responder pois minha cabeça já estava com tantas perguntas sem resposta que era melhor me concentrar na brisa e no meu café.

Foi aí que um senhor bem velhinho se aproximou de mim e me perguntou se poderia sentar na mesma mesa que eu estava. Era a única do lado de fora que pegava a tão sonhada brisa. “Tfadel khoya!” (“Por favor meu irmão!”). Reparei que ele era cego e caminhava com dificuldade, perguntou onde estava quem servia porque queria pedir um café. Disse que ia buscar para ele e trouxe água também. Puxou uma nota de 5 Dinares (dá uns 10 Reais) para me dar e eu falei que não precisava, estava tudo certo… “Que Deus te recompense meu filho!“, me disse.

Apesar de eu não estar muito para conversa (risos) começamos a conversar. Apontou com a mão o lugar onde trabalhou (uma confecção não muito longe dali) e que todos os dias precisava dar uma volta no quarteirão para se exercitar. Perguntei seu nome (Abdu) e onde morava, e ele me falou de sua família. “Por que você está aqui?“, me perguntou e eu disse que estava esperando o eletricista chegar. “Se Deus quiser ele vai vir meu filho“. Me disse que resolvera sentar ali para esperar a chamada da Mesquita e ir rezar.

Conversa vai, conversa vem, ele me disse que teve um AVC muito forte mas que graças a Deus ainda conseguia se movimentar. Me mostrou até onde o seu braço esquerdo levantava e fez isso com enorme esforço. Foi aí que eu tive “um piripaco emocional” e meus olhos lacrimejaram… Os dele também. Perguntei se ele estava sendo bem cuidado, se tinha gente que o ajudava e ele disse que sim. Lembrei do meu pai.

Ao dizer que era um seguidor do Cr15t0, ele disse: “Ah é? Que bom meu filho“. Falei que havia outros seguidores d’Ele nesse país e para minha surpresa ele disse que já sabia. Perguntei se ele tinha consciência de que Ele vai voltar um dia e me afirmou que sim, além de enfatizar que o Cr1.st0 foi um dos grandes dessa terra. A partir daí a conversa rodou em volta do Ressureto e de como Ele está atento a nós, que está assentado junto à Deus. O velhinho simpático se mostrou bem acessível embora eu tenha reparado que ele fez uma expressão de “não entender” quando me ouviu falando, por inúmeras vezes, que eu iria orar para o Cristo, pedindo por Sua benção à ele e sua família. Acabei fazendo uma 0r4.c4o, com os olhos abertos mesmo, tocando em seu lado esquerdo, desejando paz, saúde e tudo o que o Cr.1st0 pode dar. Ouvi muitos améns.

Não sei quanto tempo passei ali mas tive que ir embora. Falei que era brasileiro e ele se assustou (porque eu vim de longe)… “Logo reparei no teu sotaque, de que não era daqui“, replicou ele sorrindo (risos). Disse para ele que precisava voltar amanhã para tentar encontrar o eletricista. “Se você vier amanhã, vou vir também“, me respondeu para a minha alegria. Vamos ver se ele (e o eletricista) vão aparecer amanhã. Nsh’Allah (se Deus quiser).

Essa é a segunda vez que Deus me faz encontrar cegos aqui. O primeiro foi logo no início de nossa caminhada por estas bandas e agora, no finalzinho, aparece um outro… Esqueci dos problemas, das perguntas sem respostas, do cansaço físico e mental e tantas outras coisas que desgastam a rotina. Voltei pra casa aliviado e ruminando no que acabara de acontecer.

E para finalizar de vez a jornada indigesta em digesta, tive que parar em um lugar para comprar um óleo. Vi uma criança sentada na porta e não tinha ninguém ali. “Moço, desculpa, meu pai foi ali comprar um negócio mas já já volta para te atender“, me disse ela. “Sem problema, eu espero!“. Diferentemente do eletricista que me deixou na mão, o pai da menininha veio. Eram do Marrocos, falei que morei lá. Risos na face. Mais conversa.

Sei que Deus se faz presente em dias tensos e difíceis. Isso é muito bom. E agora eu acho que em dias assim, preciso pedir à Ele para me enviar mais uma vez um cego. Afinal de contas, preciso abrir meus olhos.

Saudade não se mata

O ano era 2009 e estávamos na Escócia para completar uma parte do treinamento linguístico para enfim chegar no norte da África. No nosso dia de folga fomos dar uma volta na cidade. Foi aí que algo inusitado e muito prazeroso aconteceu.

Entramos em uma loja e me dei de cara com um homem vestido com um turbante e roupas que eu conhecia muito bem. Quando fui ver quem é, era o Mohamed, meu primeiro professor ”de línguas estranhas” lá no Níger: O Tamachek, língua dos Tuaregues. ”Meu Deus do céu, isso é real?!” Sorrisos largos apareceram de ambos os lados, juntamente com aquele abraço saudoso e cheio de emoção. Teria o Níger e os tuaregues vindo até a mim?

Areia, dança e Moisés…

Mês passado houve na Argélia uma festa tuaregue chamada Sebiba (ou Sbeiba) que acontece anualmente em Djanet, ao sul do país. Os homens se vestem de trajes guerreiros tradicionais, dançando e simulando batalhas. Espadas por todos os lados, e mulheres cantando no famoso ritmo do deserto em meio aos tambores.

Segundo a tradição oral essa festa é comemorada à mais de 3 mil anos devido a paz selada entre duas tribos tuaregues rivais que viviam em guerra constante. A reconciliação aconteceu no dia que souberam da vitória de Moisés sobre Faraó e seu exército, na travessia do mar, onde os inimigos morreram afogados e isso se tornou um símbolo da derrota do mal e da vitória da justiça. Segundo relatos orais, foi assim que a Festa Sebiba começou e continua sendo comemorada todos os anos. E isso na Argélia.

Festa Sebiba Tuaregues

Poxa Deus, me dá isso de presente?

Eu fiquei doido para ir a essa festa e tive a brilhante ideia de pedir a Deus para me deixar ir, apesar dos desafios que eram grandes. Estou “bem aqui do lado”, seria complicado atravessar a fronteira? Eu sei que tirar o visto já é uma complicação já que na única vez que passei por lá (em trânsito) nunca havia visto um aeroporto com tanto controle como o deste país! Bom, é certo dizer que vi as ”armas caírem” quando os policiais de controle de fronteiras me viram vestido com a camisa da Seleção Brasileira. Me abraçaram, beijaram o meu rosto, falando ao pé do ouvido ”Brésil!”, ”Ronaldô!”, ”Romáriô”. Nem quiseram ver meu passaporte. Me senti em casa.

E se eu fosse de novo com a camisa do Brasil?

Na verdade, eu queria muito reviver esse tempo saudoso onde eu só andava de turbante na rua, sentava em tapetes e bebia o famoso chá. A frase “Deus, bem que o Senhor poderia me dar isso de presente, né?”, era a minha oração por meses. Queria montar em um camelo novamente, festejar com eles sobre este símbolo da vitória da Justiça onde a paz selada é dançada nas areias do deserto.

Saudade minha

Preciso ser sincero: me convenci que saudade não se mata. Eu poderia ter ido nessa festa, ser surpreendido novamente por um novo encontro com o Mohamed em algum lugar deste mundo. Mas nada dessas coisas iriam ”matar a saudade” de tudo aquilo que foi vivido e permanece dentro de mim, dentro de nós. Foram movimentos incrivelmente e exclusivamente planejados e executados em / por Deus, jamais imagináveis, nem em meus sonhos mais loucos.

Deus ouviu o meu pedido, soube do meu desejo, porém não fui presenteado com a minha presença nessa festa (snif). Estou aprendendo a ter essa paz interior, de que lugares incríveis e pessoas maravilhosas passam e você é sempre presenteado em cortar pedacinhos de seu coração e deixar eles ”enterrados por aí”.

Isso me lembra uma história real e fascinante, mas sem intuito algum de comparação. Longe disso.

Certa feita tivemos a alegria de visitar a Abadia de Westminster, em Londres, e ver onde David Livingstone havia sido enterrado. Em meio à reis e rainhas, personalidades famosas, lí em seu epitáfio: ”Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco”. A história diz que antes de embalsamar o seu corpo para ser levado para a Inglaterra, seu coração havia sido retirado e enterrado em solo africano, atual Zâmbia, perto de uma árvore. Dia 1 de Maio de 1873 foi quando isso aconteceu.

Tenho saudades enormes da areia, das amizades diversas, lugares e desafios grandes que tivemos. Muitas saudades e com certeza absoluta terei outras ainda. Mas sempre agradecido pelo presente que Deus nos dá ao ouvir Sua voz ecoando por graça imerecida dentro de nós: “e viu Deus que era bom”.

Sim Deus, foi e é muito bom!